IA no mercado imobiliário: 56,5% já usam. O que fazem os outros 43,5%

Mais da metade das empresas do setor imobiliário já adotou inteligência artificial. Veja os dados de adoção, onde a IA entrou primeiro e o que muda para quem ainda não usa.

1 de setembro de 20269 min de leituraMatheus Tj · Founder & CEO
IA no mercado imobiliário: 56,5% já usam. O que fazem os outros 43,5%

A discussão sobre inteligência artificial no setor imobiliário saiu da fase de especulação. Pesquisa apresentada no Morada Summit 2026, conduzida pela Morada.ai em parceria com a BCB Inteligência e a agência Upload, aponta que 56,5% das empresas do setor já adotaram IA de alguma forma.

Ou seja: já não é mais sobre "se". É sobre com que profundidade, em qual etapa do processo e com qual retorno.

Este artigo reúne os dados públicos disponíveis sobre adoção, cruza com os números de mercado e de contingente profissional, e tenta responder à pergunta que interessa a quem ainda não usa: o que muda quando metade dos concorrentes está atendendo diferente de você.

O que os dados mostram sobre adoção

Mais da metade já entrou

Os 56,5% de adoção citados acima incluem desde usos pontuais até operações estruturadas. É um número alto, mas condizente com o que se vê em outros setores de venda consultiva.

Entre as empresas que já usam, os benefícios apontados foram:

| Benefício percebido | Empresas | | --- | --- | | Melhoria do atendimento ao cliente | 35% | | Aumento da produtividade | 31,2% | | Redução de custos | 30,8% | | Apoio à tomada de decisão | 30,8% |

O primeiro lugar do atendimento não é acaso. É a etapa com maior volume de tarefa repetitiva e maior perda mensurável — que é onde automação costuma mostrar resultado primeiro.

E a maioria pretende ampliar

Entre as empresas que já adotaram, 37,1% pretendem aumentar o investimento ao longo de 2026 e 35,8% devem manter o nível atual. Somando, quase três quartos seguem investindo.

Um levantamento anterior da Brain Inteligência Estratégica, com base menor, apontava que entre as empresas que haviam experimentado IA, 71% perceberam ganhos de eficiência e desempenho comercial.

Vale registrar de onde vêm esses números: a pesquisa dos 56,5% foi conduzida por uma empresa que vende IA para o setor imobiliário. Isso não invalida o dado, mas pede leitura com a ressalva de sempre — fornecedor medindo o próprio mercado. Não há, até aqui, levantamento independente equivalente no Brasil.

Por que a adoção acelerou agora

Três movimentos convergiram, e nenhum deles é sobre a tecnologia em si.

1. O mercado está vendendo mais com a mesma oferta

Segundo os Indicadores Imobiliários Nacionais da CBIC, foram 226.536 unidades vendidas no primeiro semestre de 2026, alta de 5,4% sobre o mesmo período de 2025. Já os lançamentos ficaram praticamente estáveis: 211.651 unidades, variação de −0,3%.

Mais venda sobre uma oferta que não cresceu significa uma coisa: mais gente disputando o mesmo imóvel e o mesmo comprador. Quando a disputa aperta, a velocidade de atendimento deixa de ser detalhe.

2. O número de corretores explodiu

O Brasil fechou 2024 com cerca de 580 mil corretores registrados. Em fevereiro de 2026, o presidente do COFECI, João Teodoro, falava em aproximadamente 730 mil profissionais.

É o segundo maior contingente de corretores do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos. Para o profissional na ponta, isso significa que o mesmo lead que chega até você provavelmente chegou a mais dois ou três colegas ao mesmo tempo.

3. O cliente migrou para um canal que não dorme

Com 147 milhões de brasileiros no WhatsApp e 97% abrindo o app diariamente, o lead passou a mandar mensagem no horário dele, não no seu. Entre 30% e 40% dos contatos chegam fora do horário comercial.

Um canal que funciona 24 horas, atendido por uma pessoa que trabalha 8, produz uma lacuna estrutural. É essa lacuna que a IA foi ocupar primeiro — e ela custa caro: os estudos sobre tempo de resposta mostram a queda de chance a cada meia hora.

Onde a IA entrou primeiro

Nem toda aplicação de IA no setor tem o mesmo grau de maturidade. Na prática, a adoção seguiu uma ordem bastante clara.

Atendimento e primeiro contato. É o uso mais difundido e o de retorno mais direto: responder o lead na hora, entender o que ele procura e coletar as informações básicas antes do corretor entrar. Foi o que apareceu em primeiro lugar na pesquisa de benefícios.

Qualificação de leads. Logo em seguida vem a triagem: separar quem tem perfil, orçamento e prazo de quem está apenas olhando. É trabalho repetitivo, com roteiro estável — as 12 perguntas que estruturam essa etapa são praticamente sempre as mesmas, e por isso automatizáveis com boa margem de acerto.

Descrição de anúncios e conteúdo. Geração de textos para portais e redes. Uso amplo, ganho de tempo real, mas com impacto comercial menor — não muda a taxa de conversão, só a velocidade de publicação.

Análise de dados e precificação. Estimativa de valor, leitura de tendência de bairro, projeção de demanda. É o uso mais promissor e o menos difundido, porque depende de base de dados que a maior parte das operações ainda não tem organizada.

Relacionamento pós-venda e follow-up. Retomada de contatos antigos, acompanhamento depois da visita. Área ainda pouco explorada, apesar de ser onde mora boa parte da comissão perdida.

O que muda para quem ainda não usa

Se você está nos 43,5%, a pergunta prática não é filosófica. É esta: quando um lead seu manda mensagem às 21h de um sábado, o que acontece?

Se a resposta for "ele espera até segunda", vale saber que parte relevante da sua concorrência já respondeu — e que o estudo do MIT sobre tempo de resposta indica que a chance de qualificar um lead cai bruscamente já na primeira meia hora.

Não significa que você precise adotar IA amanhã. Significa que a lacuna que antes era comum a todo mundo agora é sua sozinho.

Três posturas razoáveis:

  1. Medir antes de decidir. Quantos leads você recebeu no último mês? Quantos ficaram sem resposta? Quantos chegaram fora do horário? Sem esses três números, qualquer decisão é palpite.
  2. Começar pelo atendimento inicial. É onde a perda é maior e o retorno mais rápido. Análise de dados e precificação vêm depois, quando a operação já estiver organizada.
  3. Manter o corretor no fechamento. Nenhum dado sugere que a IA feche negócio. A pesquisa aponta ganho em atendimento, produtividade e custo — todas etapas anteriores à negociação.

A leitura mais repetida entre analistas do setor é que a IA não elimina o corretor: ela expõe a diferença entre quem agrega valor na negociação e quem apenas repassa informação. A primeira parte do trabalho é a que está sendo automatizada.

O que a IA não resolve

Vale ser honesto sobre o limite, porque a promessa exagerada é o que mais gera frustração no setor.

Não fecha venda. Negociação envolve leitura de contexto, construção de confiança e concessão calculada. Nenhum agente faz isso, e quem promete isso está vendendo além do que entrega.

Não substitui a visita. O cliente decide no imóvel, com o corretor ao lado respondendo o que ele não sabia que ia perguntar.

Não conserta portfólio ruim. Se os imóveis não batem com a demanda da região, atender mais rápido só acelera a descoberta de que não há aderência.

Não funciona sem configuração. Um agente sem regras de atendimento, sem tom de voz definido e sem os imóveis cadastrados responde genérico — e genérico o cliente reconhece na segunda mensagem.

A Zeety foi construída dentro desse limite: ela cuida do primeiro atendimento, da qualificação e da organização do contexto, e chama o corretor no momento em que a conversa exige um humano.

Perguntas frequentes

IA vai substituir o corretor de imóveis?

Os dados disponíveis não apontam nessa direção. Os benefícios relatados pelas empresas se concentram em atendimento, produtividade e custo — etapas anteriores à negociação e ao fechamento.

O que muda é a distribuição do tempo do corretor: menos tempo em triagem e resposta repetitiva, mais tempo em visita e negociação.

Vale a pena para corretor autônomo ou só para imobiliária grande?

A pesquisa de adoção mede empresas, mas a lógica do autônomo é a mesma e às vezes mais aguda: ele não tem equipe para cobrir o horário em que está em visita. O critério não é o tamanho, é o volume de leads que fica sem resposta.

Quanto custa adotar IA no atendimento imobiliário?

Varia bastante conforme o escopo. Ferramentas de atendimento para corretor autônomo no Brasil costumam ficar na faixa de uma a três centenas de reais por mês. O cálculo relevante é comparar esse custo com a comissão de uma única venda recuperada.

Por onde começar?

Pelo atendimento inicial, que é onde a perda é mensurável e o retorno aparece rápido. Antes disso, meça seus números atuais: volume de leads, taxa de não-resposta e distribuição por horário.

Esses 56,5% são confiáveis?

O número vem de pesquisa apresentada no Morada Summit 2026, conduzida por uma empresa fornecedora de IA para o setor em parceria com uma consultoria e uma agência. É o levantamento mais amplo disponível publicamente sobre o tema no Brasil, mas não é independente — vale tratar como indicativo de tendência, não como medida exata.

Em resumo

  • 56,5% das empresas do setor imobiliário já usam IA de alguma forma; quase três quartos das que usam pretendem manter ou ampliar o investimento em 2026.
  • O principal benefício relatado é melhoria do atendimento ao cliente (35%) — a etapa onde a perda é maior e mais visível.
  • O mercado vendeu 226.536 unidades no primeiro semestre de 2026 (+5,4%) com lançamentos estáveis, e o país tem hoje cerca de 730 mil corretores: mais gente disputando o mesmo lead.
  • A IA entrou primeiro no atendimento e na qualificação, e ainda é pouco usada em follow-up e precificação.
  • Ela não fecha venda, não substitui visita e não conserta portfólio. O ganho está em tudo que acontece antes da negociação.

Para entender como funciona na prática, veja o guia sobre IA para corretor de imóveis e a comparação entre chatbot imobiliário e IA.

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